Deprecias o soneto.
E eu pergunto, porque não
abrigá-lo sob o tecto
do poema em construção?
Que a rima não se usa,
dizes tu, é coisa antiga.
Mas se a forma da blusa
fica bem à rapariga;
repara naquelas curvas,
na elegância do corte:
por que razão te perturbas
e quase perdes o norte
e te zangas e abespinhas,
como se fossem maninhas
todas as pernas errantes,
sedutoras, cativantes?
http://domingosmota.blogspot.pt/2016/09/ensaio-sobre-o-soneto.html
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sábado, 17 de setembro de 2016
#37 - ENSAIO SOBRE O SONETO, Domingos da Mota
domingo, 19 de outubro de 2014
#9 - PERO ADEUS, AI DEUS E U É?, Domingos da Mota
Pero Passos, passarão,
ergue a crista no poleiro,
um tudo-nada capão
no papel de timoneiro,
com a pose de tenor
e o bico recurvado,
impassível despudor,
obsceno arrazoado
por demais constrangedor,
pois bastante enviesado
sob um manto de rigor,
Pero tão despassarado.
Pero Passos passarinha
como um galo empertigado,
um tudo-nada, nadinha
convincente sobre o estado
que posterga da vidinha,
das andanças do passado.
Pero adeus, ai Deus e u é?
Quanto antes vá ciscar
para longe do meu pé,
muito longe do lugar
por onde faz finca-pé
de sem dó pisotear.
http://morcegoseolhimancos.blogspot.pt/2014/10/cantiga-de-amigo.html
ergue a crista no poleiro,
um tudo-nada capão
no papel de timoneiro,
com a pose de tenor
e o bico recurvado,
impassível despudor,
obsceno arrazoado
por demais constrangedor,
pois bastante enviesado
sob um manto de rigor,
Pero tão despassarado.
Pero Passos passarinha
como um galo empertigado,
um tudo-nada, nadinha
convincente sobre o estado
que posterga da vidinha,
das andanças do passado.
Pero adeus, ai Deus e u é?
Quanto antes vá ciscar
para longe do meu pé,
muito longe do lugar
por onde faz finca-pé
de sem dó pisotear.
http://morcegoseolhimancos.blogspot.pt/2014/10/cantiga-de-amigo.html
sábado, 30 de agosto de 2014
#7 - A MÁSCARA FATAL DE MESSALINA, Domingos da Mota
Eu vi gelar as putas da Avenida
ao griso de Janeiro e tive pena
Fernando Assis Pacheco
Eu vi andar as pegas na Avenida
num tórrido Verão, ardia Agosto.
Se aquilo que faziam era a vida,
mas que puta de vida! Quanto rosto
sumido e consumido nessa lida,
à mercê do ferrete, e do sol-posto
dissimulado sob a perseguida
labuta marginal. A contragosto,
dei por mim a olhar, a ver de perto
um vulto que exibia o passo incerto
e arrastava os pés, de esquina em esquina.
Mas perdi o seu rasto, a sua sombra;
vislumbrando, a desoras, na penumbra,
a máscara fatal de Messalina.
http://domingosmota.blogspot.pt/2014/08/a-mascara-fatal-de-messalina.html
ao griso de Janeiro e tive pena
Fernando Assis Pacheco
Eu vi andar as pegas na Avenida
num tórrido Verão, ardia Agosto.
Se aquilo que faziam era a vida,
mas que puta de vida! Quanto rosto
sumido e consumido nessa lida,
à mercê do ferrete, e do sol-posto
dissimulado sob a perseguida
labuta marginal. A contragosto,
dei por mim a olhar, a ver de perto
um vulto que exibia o passo incerto
e arrastava os pés, de esquina em esquina.
Mas perdi o seu rasto, a sua sombra;
vislumbrando, a desoras, na penumbra,
a máscara fatal de Messalina.
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